Agrupamento de Escolas de Amarante: Dossiê Património Local

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Mulheres tecedeiras

 

S. Faustino

 

Gente ilustre

 

Exemplares arquitectónicos

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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   Dossiês Sala 5: PATRIMÓNIO LOCAL

 

 

 

 
  Sala 1: Figuras Locais
  Sala 2: Ambiente
  Sala 3: S. Gonçalo
  Sala 4: Rio Ovelha
  Sala 6: Amadeo de Souza-Cardoso

 

 

 

 

 

FRIDÃO—Uma apresentação

 

   «Os rios, a ponte, a serra, a floresta e o padroeiro, são os verdadeiros símbolos de um povo sofrido e laborioso que luta pela dignificação do seu tempo e do seu espaço, e é sempre com orgulho e emoção que fala dos seus símbolos.»

 

Texto: António Aires

Docente de História

antonio_aires.htm | página pessoal

Ver também Figuras Locais
 

 

Um pouco de história

 

   Situa-se nas abas da Serra do Marão, mais especificamente na Serra da Meia Via, entre os caudais convergentes dos rios Tâmega e Olo.

 

 

Fridão: vista do povoado com igreja matriz ao centro.

 

   A freguesia de Fridão é servida pela antiga Estrada Nacional nº312 e dista cerca de 6 km da sede do concelho de Amarante, distrito do Porto.

   Situa-se nas abas da Serra do Marão, mais especificamente na Serra da Meia Via, entre os caudais convergentes dos rios Tâmega e Olo.

   Segundo os romanos faria parte da vasta região da Volóbriga ou Uolóbriga, com o centro mais importante em Ermelo e seria habitada por povos de pastores (Nemetanos).

   Com valor histórico toponímico é o lugar da Prachã que parece derivar do nome da antiga villa romana (Praxiana) que se localiza defronte da romana Vila Pauca, hoje Vila Pouca, lugar da freguesia da Chapa.

   O lugar de S. Faustino de Fridão fez parte da freguesia de Lufrei do extinto concelho de Gestaço e só muito recentemente adquiriu o estatuto de freguesia, mais propriamente em 1842, na sequência da Reforma Administrativa de Passos Manuel (em 1842 foi publicado um código que inclui a lista definitiva de concelhos e freguesias resultantes da reforma de 1836, com as correcções oficiais à lista inicial e as modificações seguintes, onde consta a criação da freguesia de Fridão).

   O nome da Serra da Meia Via parece advir-lhe da existência da estrada romana que depois de vencido o Tâmega no Vau de Barões e atravessado o Olo ligaria a Cainha e a Ribeira de Pena.

 

   «...Inúmeros pesqueiros, açudes, moinhos, poldras ou alpondras e lugares de travessia em barca, atestam de forma clara que os rios que dividiam...»

                              

   A Serra, e os rios Tâmega e Olo, sempre presentes, marcaram de forma indelével a vida da população desta freguesia através dos tempos.   Nos rios, inúmeros pesqueiros, açudes, moinhos, poldras ou alpondras e lugares de travessia em barca, atestam de forma clara que os rios que dividiam, também uniam e contribuíam para o sustento da população.

 

 

Modos de vida

 

   «...Por aqui tiveram actividades como a carvoaria, a resinagem, a descasca da cortiça, a pastorícia, a curtimenta de peles...»

 

   Da serra tirava o povo o grosso do seu rendimento, a crer nas inúmeras actividades ligadas à exploração da riqueza florestal e do subsolo. Ainda hoje há testemunhos vivos da importância que por aqui tiveram actividades como a carvoaria, a resinagem, a descasca da cortiça, a pastorícia, a curtimenta de peles, a apanha das lenhas, o aproveitamento das madeiras e a exploração mineira.    No tocante a esta actividade, importa realçar que na área da freguesia, há registadas sete minas de estanho, denominadas: Ribeiro de Felgueiras, Serra da Meia Via, Ribeiro de Ordes nº1 e nº3, Pena de Gato, Ribeiro de Guimbra e Ribeiro das Poças do Cabo.    Mas, era muito mais modesta a actividade que dava sustento à população pobre da freguesia. Nos finais do séc. XIX José Augusto Vieira escreveu: «...Tem a freguesia de Fridão, assim como todas as freguesias das abas do Marão, grandissimos baldios, o que dá aqui lugar a uma pequena indústria. É o transporte da carqueija e da urguela ou urze da Serra da Meia Via para Amarante, por uma magra quantia de 40 reis a 120 reis o máximo, que apesar de tudo, é a receita mais importante e mais certa da gente pobre da freguesia. A Serra da Meia Via que se estende de Fridão a Rebordelo e do Tâmega ao Olo, é abundantissima de lenha...».

 

 

«Carqueijeiros»

 

   «...Ao povo de Fridão lhe veio o nome de «carqueijeiros», que mais orgulha do que deslustra.»

 

   Ainda hoje é possível reconstituir quase por completo o percurso do caminho público (caminho dos carqueijeiros ou lenheiros) por onde a gente pobre da freguesia, descalça e de molhos à cabeça, calcorreava os mais de 6 km que os levava à Vila para abastecer padarias e particulares.   Foi desta actividade humilde, que ao povo de Fridão lhe veio o nome de «carqueijeiros», que mais orgulha do que deslustra.

 

 

Mulheres tecedeiras

 

   «...As laboriosas mãos das mulheres de Fridão constroem fio a fio as belas colchas de linho, ou algodão...»

 

   Como todas as freguesias do concelho, Fridão contribuiu de forma relevante para os elevados índices de emigração ao longo dos tempos, sendo a França e a Alemanha os principais destinos nos anos (19)70 e actualmente a Inglaterra e a Suíça.

   A população residente ocupa-se na agricultura, na pecuária, na construção civil e ainda na metalurgia e na transformação de madeiras. São várias as firmas de serralharia existentes, sendo de realçar a Metalúrgica do Fojo e das de carpintaria são de realçar, pela sua importância, a carpintaria Morais e a fábrica de urnas funerárias TMS.

   Às mulheres, cabe ainda o importante papel de cuidar da casa e dos filhos e contribuem para o orçamento familiar dedicando os seus tempos livres aos trabalhos da tecelagem.

   Não será exagero afirmar que, na loja de cada casa, existe pelo menos um tear em laboração.

   Os teares de Fridão são dos mais rudimentares e construídos na freguesia, a preços muito acessíveis. Nestes toscos engenhos, as laboriosas mãos das mulheres de Fridão constroem fio a fio as belas colchas de linho, ou algodão, que fazem as delícias das donas de casa.

   As colchas Coroa de Rei, Flor de Lis, D. Pedro e tantas outras fizeram nascer nesta freguesia uma actividade comercial intensa, havendo quem tem mais de 50 tecedeiras a produzir (aqui e noutras freguesias a que a actividade alastrou), para colocar esses belos trabalhos nos mercados turísticos do país e no estrangeiro.

 

S. Faustino

 

   O orago da freguesia é S. Faustino e tem a sua festa a 15 de Fevereiro, ou no fim de semana mais próximo daquela data.

 

Igreja matriz de Fridão: em seu redor reúnem-se a população local e os forasteiros, todos os anos a 15 de Fevereiro ou no fim-de-semana mais próximo, em honra de S. Faustino.

 

 

Gente ilustre

 

   Aqui nasceu o poeta Nunes Ferreira, que sentidamente cantou o rio Tâmega. E, segundo Armando Malheiro da Silva e Luís Pimenta de Castro Damásio, in «António Cândido, Sidónio Pais e a Elite Política Amarantina, 1850-1922», também aqui terá nascido o insigne orador e parlamentar António Cândido Ribeiro da Costa, apesar do seu biógrafo António Cabral o dar como nascido em Candemil. Baptizado a 30 de Março de 1850 na Igreja de S. Salvador do Monte, o seu registo de nascimento (Livro de Assentos de Baptizado, fl.68 V.—Arquivo Distrital do Porto) dá-o como natural de S.Faustino — Fridão, e filho de Ana Joaquina Ribeiro, por sua vez filha de José Joaquim Gonçalves (carpinteiro) e de Ana Ribeiro Teixeira (tecedeira), daqui naturais e residentes.

 

 

Exemplares arquitectónicos

 

   Para além da singular beleza paisagística desta freguesia, localizada no interflúvio Tâmega/Olo, da variedade biológica de diferentes ecossistemas, Fridão orgulha-se ainda de outras grandes obras que aqui se erguem, como a Casa das Chousas, solar oitocentista com portal brasonado que foi pertença do Conselheiro Joaquim Nogueira Soares Vieira e de seu irmão Duarte Gustavo Nogueira Soares, igualmente Conselheiro, bacharel em Direito, Grã Cruz das ordens de Isabel a Católica de Espanha e de Francisco José da Áustria, diplomata, Director-geral dos Consulados e dos Negócios Comerciais no Ministério dos Negócios Estrangeiros, colaborador do Jornal do Comércio de Lisboa e autor de um livro de Ciência Política «Considerações sobre o presente e o futuro político de Portugal» (Lisboa, Tipografia Universal, 1883), e que possui uma bela capela de devoção a S. Paulo, com altares entalhados a ouro, que chegou a servir de igreja paroquial e que urge proteger e restaurar. Ainda a Casa de S. Faustino, propriedade do Dr. Lino Vieira Pinto e esposa, que recebe a visita assídua do seu familiar mais ilustre o Bispo resignatário de Nampula, D. Manuel Vieira Pinto, casa onde funciona hoje uma moderna e modelar estância de turismo rural e ainda outras de grande dignidade arquitectónica como a Casa da Ponte, a Casa da Costa e a Casa da Zindinha.

   Igualmente dignas de referência são as típicas casas tradicionais em xisto castanho da Meia Via, cobertas a telha portuguesa de meio cano.

 

 

Imponente entrada da Casa das Chousas (em cima) e perspectiva da Casa da Costa, dois excelentes exemplares da rica arquitectura de Fridão.

 

 

   «Os rios, a ponte, a serra, a floresta e o padroeiro, são os verdadeiros símbolos de um povo sofrido e laborioso que luta pela dignificação do seu tempo e do seu espaço...»

 

   Do antigo castelo que alguns dizem ter existido, não há vestígios para além do topónimo. No local também não há indícios visíveis de qualquer castro.

   Mas a obra que mais orgulha o povo de Fridão é a Central Hidroeléctica do Olo, sonhada em 1912 pelo então Presidente da Comissão Executiva Municipal Republicana, Dr. António do Lago Cerqueira e que veio a fazer de Amarante, uma das primeiras localidades iluminadas por energia eléctrica em 1917. Hoje é uma realidade museológica, inequívoco documento da arqueologia industrial a necessitar de conservação e dignificação.

   De referir parece-nos ainda importante a Ponte do Borralheiro que desde o séc. XIX liga Fridão à sede do concelho e que veio substituir as travessias em barca no Tâmega e pelas poldras no rio Olo.

 

   Os rios, a ponte, a serra, a floresta e o padroeiro, são os verdadeiros símbolos de um povo sofrido e laborioso que luta pela dignificação do seu tempo e do seu espaço, e é sempre com orgulho e emoção que fala dos seus símbolos.

 

 

Associativismo

  

   É intensa a actividade associativa da freguesia e importa destacar a Tuna de S. Faustino, que conta hoje para além do seu elenco de músicos, com uma escola de música inteiramente gratuita que é frequentada por meia centena de jovens da freguesia. Não podia ficar por referir a inolvidável actuação da nossa Tuna no palco flutuante da Expo'98, nas imediações do Pavilhão dos Oceanos; O Águas Bravas Clube da canoagem, que já deu campeões nacionais e atletas olímpicos; a Associação Desportiva de Fridão que dinamiza o futebol, o pedestrianismo e outras actividades desportivas e recreativas; O Clube Atlético de Fridão federado na Associação de Futebol do Porto, que se tem distinguido e obtido óptimos resultados no Futsal e ainda grupos de dança moderna e grupos de teatro e canto.

 

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